Curso busca qualificar lideranças sociais na temática da comunicação popular

A 1ª Etapa do Curso Comunicação, Direito Humano à Saúde e Democracia aconteceu de 26 a 28 de março, em São Paulo/SP. O curso é resultado de uma construção coletiva das organizações que compõem o Fórum DH Saúde e busca promover um processo formativo para e com lideranças de movimentos sociais e organizações populares, contribuindo na qualificação da comunicação, por meio de oficinas e da reflexão crítica sobre Direito Humano à Saúde, Democracia e Comunicação.

Nesta primeira etapa foram abordados temas como história da comunicação, evolução dos meios de comunicação e concentração de poder, a relação da comunicação com modelos de desenvolvimento, a comunicação como campo de disputas ideológicas, Marco Regulatório da Internet, Lei de Acesso à Informação e Lei Geral de Proteção de Dados.

O professor Laurindo Lalo destacou que os perfis nas redes sociais e os portais alternativos não tem a capacidade financeira de montar empreendimentos comerciais capazes de produzir informação da mesma forma como a mídia tradicional tem e faz, sendo que é a partir da mídia tradicional que as informações são muitas vezes replicadas. “O sociólogo Max Webber já dizia, no início do século passado, que o crescente capital fixo da imprensa, significará também o aumento do poder que permite moldar a opinião pública arbitrariamente, ou seja, conforme a tecnologia vai se sofisticando e sua abrangência vai aumentando, mais recursos financeiros são necessários para seu controle e desenvolvimento, resultando em maior concentração dos meios de comunicação”, comentou.

Janelson Ferreira abordou que a comunicação não está restrita ao campo das ideias, mas além da esfera ideológica, ela também está ligada a uma base econômica. Falando sobre hegemonia, disputa pelo poder e a condução das sociedades, ele aprofundou os conceitos de direção e domínio, falando sobre a condução moral e a produção de consensos na sociedade e também sobre o uso da força para garantir o domínio. Outro aspecto trabalhado foi o que ele chamou de mitos das Tecnologias da Informação e da Comunicação, destacando a ideia de nuvem, do empreendedorismo, do solucionismo e da neutralidade.

A partir do debate, foram apontados desafios para os movimentos e entidades populares que lutam pelo direito humano à saúde, reforçando a necessidade de um diagnóstico mais detalhado da situação atual em cada organização para propor estratégias comuns de comunicação do Fórum DH Saúde. Também foi apontada a necessidade de prepararmos as lideranças das organizações para identificar a desinformação, promovendo formações que ajudem a ampliar a checagem das notícias que chegam em nossos territórios.

A desinformação é uma estratégia que se apropria de afetos, produzindo medo, angústia e ódio. Transformações tecnológica exigem novos marcos legais. Cris Cirino fez um resgate das normas e leis que já existem no campo da internet e quais são as discussões que estão em pauta atualmente.

Uma oficina sobre Teatro-jornal, uma técnica teatral desenvolvida por Augusto Boal, que consiste em dramatizar notícias, proporcionou um momento de integração e de inspiração para ações locais de mobilização.

Participaram do curso 36 pessoas, representantes de diversos movimentos e entidades do Fórum DH Saúde, além de integrantes da assessoria de comunicação do Conselho Nacional de Saúde. A atividade foi promovida em conjunto com o projeto Participa+ e prevê a realização de mais três etapas, sendo as próximas duas virtuais e a etapa final presencial.

Fotos: Comunicação CEAP e Ascon/CNS

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