Formação de Lideranças Sociais promove diálogo sobre territórios, participação e direitos em Passo Fundo

Primeiro encontro do curso, realizado pelo CEAP, reuniu lideranças sociais, integrantes de movimentos e organizações para compartilhar experiências e refletir sobre os desafios dos territórios

Dialogar sobre as vivências, conquistas e dificuldades encontradas nos territórios. Identificar o local de moradia, de trabalho, a escola onde os filhos estudam e o posto de saúde onde as pessoas são atendidas dentro dos mapas territoriais de Passo Fundo. Essas foram algumas das experiências compartilhadas durante o primeiro encontro do Curso de Formação de Lideranças Sociais, realizado pelo Centro de Educação e Assessoramento Popular (CEAP), no último sábado, 12 de setembro, na Casa Santa Cruz, em Passo Fundo.

A atividade reuniu lideranças e integrantes de movimentos, associações e organizações, além de pessoas interessadas na participação social e comprometidas com a transformação da realidade em seus territórios. Ao longo do encontro, os participantes foram convidados a refletir sobre suas vivências, reconhecer os desafios presentes nos bairros e construir, coletivamente, estratégias para a defesa de direitos.

CEAP apresenta sua atuação e compromisso com os movimentos sociais

O diretor-geral do CEAP, Henrique Kujawa, apresentou a trajetória da entidade, sua atuação na assessoria a movimentos sociais e populares e os objetivos que orientaram sua criação, há 40 anos. “O CEAP não é um movimento, não é uma associação de moradores, não é um sindicato. É uma entidade que vive com o propósito de apoiar outros movimentos, outras organizações e desenvolver um trabalho, seja um processo formativo, de organização, de articulação entre os movimentos. Essa é a missão do CEAP”, explicou.

Na sequência, a educadora popular do CEAP, Aléxia Monteiro, apresentou a proposta do curso e mediou as atividades desenvolvidas pelas pessoas participantes. “Com essa formação, buscamos fortalecer e incentivar os movimentos, associações e organizações a ocuparem os espaços de controle e participação social. São espaços importantes para a construção de políticas públicas que realmente dialoguem com a realidade dos bairros e da população”, afirmou.

A atividade também contou com a apresentação da peça teatral “Chicão: O Pescador de Livros”, do Grupo Rittornelo, que conta a história do papeleiro Valdelirio Nunez de Souza, conhecido como Chicão. Mesmo sendo um homem simples, Chicão reuniu uma biblioteca com mais de 12 mil obras.

Para Aléxia, a apresentação contribuiu para ampliar as possibilidades de reflexão durante o processo formativo. “Essa peça tem um contexto social muito importante. Conta a história de um homem simples que salva do lixo livros, cria uma biblioteca, enfrenta um sistema que muitas vezes exclui e promove a transformação social. Nós acreditamos que a arte nos ensina, nos provoca à reflexão e, por isso, a apresentação dessa peça foi tão importante”, conta.

Olhar para o território e construir estratégias coletivas

O educador popular Jorge Gimenez conduziu a etapa formativa, propondo reflexões sobre a realidade dos bairros e os desafios enfrentados pela população. A partir da pergunta “Como é o meu bairro hoje?”, os participantes foram convidados a identificar problemas relacionados à mobilidade, à infraestrutura e às questões sociais.

Divididos em grupos, eles elencaram situações vivenciadas em seus territórios e organizaram as questões em uma escada de evolução, identificando desafios, avanços e possibilidades de transformação.

A atividade também contou com a construção de mapas territoriais de Passo Fundo, nos quais os participantes localizaram espaços importantes de suas vidas, como moradias e locais de trabalho, além de identificar necessidades relacionadas a espaços de lazer, segurança e limpeza. A proposta foi estimular o reconhecimento do território como espaço de vivência, organização e luta por direitos.

Diversidade de experiências fortalece a formação

Entre as pessoas participantes estavam lideranças, integrantes de movimentos sociais, associações de moradores, sindicatos e organizações não governamentais, além de pessoas com deficiência, mães atípicas e imigrantes de sete países: Cuba, Venezuela, Senegal e Guiné-Bissau, Gana, Gâmbia e Moçambique.

Para Jorge Gimenez, a presença de pessoas de diferentes nacionalidades evidencia a diversidade de Passo Fundo e a importância de ampliar os espaços de escuta e participação social. “São pessoas que vieram para cá muitas vezes em busca de uma vida melhor, que estão trabalhando e contribuindo com o município. Eu mesmo sou paraguaio e moro há mais de 20 anos no Brasil, por isso sabemos que há oportunidades, mas muitos desafios. As políticas públicas também precisam ser pensadas para atender essas populações”, pontuou.

A diversidade do grupo também possibilitou a troca de experiências sobre direitos e políticas públicas. Uma das participantes, imigrante cubana, compartilhou sua percepção sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de suas vivências em diferentes países. “Sou cubana e já morei em cinco países. Vejo que há políticas que muitas vezes os brasileiros não valorizam, como o SUS. Isso é algo muito bom para a população, ter um atendimento, uma cirurgia, um medicamento gratuito”, relatou.

Formação para fortalecer a participação social

O primeiro encontro  foi marcado por momentos de integração, diálogo e construção coletiva. A proposta é que os encontros contribuam para fortalecer a atuação das lideranças nos territórios e ampliar a participação da população nos espaços de controle social e construção de políticas públicas.

O curso é gratuito, conta com 40 participantes e ocorre aos sábados, nos turnos da manhã e da tarde. Ao todo, serão quatro encontros presenciais até o final do ano. O próximo encontro ocorre no dia 31 de outubro. O Curso de Formação de Lideranças Sociais é uma realização do Projeto Qualificação de Lideranças Sociais para a Defesa do Direito Humano à Saúde.

Confira as temáticas dos próximos encontros

2º Encontro
Tema: Participação e Controle Social na garantia dos direitos

3º Encontro
Tema: O Direito à Saúde em Passo Fundo: construindo estratégias de ação

4º Encontro
Tema: A estrutura participativa em Passo Fundo e o SUS

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Reportagem: Jéssica França
Fotos: Aléxia Monteiro e Jéssica França/CEAP

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