Mulheres negras marcham por reparação e bem-viver

A 2ª Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, realizada no dia 25 de novembro, em Brasília/DF, reuniu milhares de mulheres negras de todo o país. A Marcha é um movimento político e social que reúne mulheres negras para lutar contra o racismo, a violência e a desigualdade.

A concentração iniciou às 8h, em frente ao Museu Nacional, no Setor Cultural Sul, com saída da marcha rumo ao Congresso Nacional. Cíntia Melo e Mariana Bilac dos Santos representaram o CEAP Na atividade em Brasília, acompanhadas de Anair Silva da Rosa, associada da entidade.

“Participar da marcha das mulheres negras representando o CEAP foi muito importante pra mim, porque nesses espaços podemos ver o quanto o nosso trabalho tem força. A gente consegue reencontrar muitas mulheres que estiveram envolvidas nas formações do Participa+ e nos espaços de articulação em que o CEAP está envolvido. Também por estar aqui, hoje, reafirmando o que eu acredito muito: que a mulher negra e todos os negros merecem respeito, às suas vidas e a todo o seu potencial, destaca Cíntia.

Durante o percurso, as mulheres marcharam por reparação histórica, direitos dos povos tradicionais, preservação ambiental e um modelo econômico sustentável. Ao contrário de contingentes de imigrantes, as pessoas negras escravizadas no Brasil não tiveram direito a indenização após a abolição, tampouco acesso à terra e à educação. Frequentar escolas, por anos, era proibido. Segundo informações publicadas pela Agência Brasil, essas questões estão na base das desigualdades que chegaram até os dias atuais. Na região Nordeste, por exemplo, onde a taxa de analfabetismo é o dobro da nacional (14%) e há uma maior proporção de pessoas na extrema pobreza e na pobreza, vivem mais pessoas pretas e pardas.

Manifesto

Para tratar do tema da reparação, a Marcha de Mulheres Negras lançou o Manifesto Econômico e Institucional, com propostas em sete eixos, incluindo a criação de um fundo econômico, a taxação de grandes fortunas e heranças, políticas para redução da taxa de juros, blindagem do orçamento social, reformas agrária e urbana, além de linhas de crédito e ações afirmativas em empresas que atendem à administração pública. O manifesto completo pode ser acessado AQUI e está disponível no site da Marcha (marchadasmulheresnegras.com.br).

Além da marcha, aconteceu uma sessão solene no Congresso Nacional em homenagem ao papel das mulheres negras na democracia brasileira. A programação incluiu também shows, no período da tarde. O bem-viver é tratado ao lado da busca por reparação, ou seja, de medidas que permitam a correção de distorções reflexo do racismo estrutural, que é o tratamento desigual dados às pessoas negras devido à estrutura da sociedade.

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