
No ano em que o PARTICIPA+ celebra 10 anos de trajetória com o Curso de Formação para o Controle Social no SUS, a estratégia de multiplicação ganha centralidade no projeto do Conselho Nacional de Saúde, do qual o Centro de Educação e Assessoramento Popular (CEAP) é parceiro executor.
O PARTICIPA+ está sob a coordenação da Comissão Intersetorial de Educação Permanente para o Controle Social no SUS do Conselho Nacional de Saúde (CIEPCSS/CNS) e conta com o apoio técnico da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Para a educadora popular do CEAP, Nara Peruzzo, compreender a multiplicação exige retomar o próprio sentido da educação popular e o que se espera das oficinas formativas. “Para falar o que entendemos de multiplicação é importante retomar o que compreendemos por educação e o que queremos com as oficinas de formação. Para nós, as oficinas não são apenas um evento; elas devem se construir como um processo formativo que dialogue com e a partir dos territórios. Por isso, acreditamos que o conhecimento compartilhado e construído nas oficinas deve ser mobilizador e não ficar guardado só para si. É nessa relação que entra a multiplicação. É mais que uma atividade, é um processo; queremos fortalecer redes de participação e controle social no SUS”, afirma.
Segundo a educadora, a multiplicação não se resume à repetição de conteúdos ou à realização de novas oficinas. Trata-se de um convite à ampliação e à difusão da ação organizada em defesa do SUS, contribuindo para potencializar espaços e iniciativas já existentes nos territórios. “Não somente no sentido de multiplicar como repetir algo, mas de impulsionar ações integradas à realidade de cada território, que coloquem a participação e o controle social em movimento”, explica.
Pensar ações a partir da realidade dos territórios
Durante a etapa presencial das oficinas do PARTICIPA+, os participantes têm o desafio de pensar em ações a serem desenvolvidas em seus territórios. Os chamados “planos de multiplicação” são uma das ferramentas centrais da formação e são construídos em parceria com as Comissões de Educação Permanente dos Conselhos Estaduais de Saúde. “Resumidamente, podemos dizer que o plano de multiplicação é um instrumento mobilizador de ações, atividades e de fortalecimento da participação e do controle social no SUS e, consequentemente, do SUS”, destaca.
Ao introduzir essa ferramenta, a equipe pedagógica também problematiza a importância do planejamento e de seus princípios orientadores, como o diálogo, a escuta das diferentes vozes do território, a construção de parcerias e as posturas democráticas nos processos. Nara recorre a uma metáfora conhecida para reforçar esse ponto. “É importante fortalecermos a cultura do planejamento, pois, como o gato dizia no filme “Alice no país das maravilhas”, se você não sabe para onde quer ir, qualquer caminho serve. Mas planejar e realizar ações a partir dos princípios da educação popular pressupõe atitude democrática e não autoritária”, ressalta.
Ela também enfatiza que cada participante das oficinas deve se reconhecer como liderança no processo de defesa e fortalecimento do SUS. Nesse caminho, as Comissões Estaduais de Educação Permanente desempenham papel estratégico, oferecendo suporte e contribuindo para potencializar a rede de participação em cada estado.

Formação Pedagógica
Sobre a preparação dos educadores populares para atuarem nas oficinas em todo o Brasil, Nara explica que a formação da equipe pedagógica do PARTICIPA+ é permanente. Inspirada no pensamento de Paulo Freire, a educadora lembra que a prática exige reflexão constante. “Como dizia Paulo Freire, precisamos refletir sobre a nossa prática, afinal, não somos instrutores; somos educadoras e educadores que aprendemos e ensinamos ao andar pelo Brasil”. Em dezembro, toda a equipe se reuniu para avaliar as oficinas realizadas em 2025 e refletir sobre ajustes para 2026 e, no fim do mês de fevereiro, um novo encontro aprofundará a pactuação do processo formativo deste ano.
Para Nara, o maior desafio da multiplicação é enfrentar a cultura do imediatismo. “Processos vão se construindo, se articulando e se fortalecendo e isso exige formação permanente, acolhida, trocas e mobilização. É um trabalho de formiguinhas”, diz.
A educadora destaca ainda que os relatos vindos dos territórios demonstram resultados concretos, como a implementação de conselhos locais, rodas de conversa, encontros formativos e outras iniciativas que ampliam a participação social. “Não queremos fortalecer apenas ações isoladas, queremos fortalecer redes, processos que contribuam na defesa e no fortalecimento do SUS”, conclui.
Ao completar uma década, o PARTICIPA+ reafirma que a multiplicação não é um desdobramento secundário das oficinas, mas parte essencial de um projeto que aposta na construção coletiva, na formação permanente e na mobilização social como caminhos para fortalecer o Sistema Único de Saúde. O projeto conta ainda com a parceria dos Conselhos Estaduais de Saúde, das Comissões Estaduais de Educação Permanente e do Fórum DH Saúde.
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Comunicação CEAP



