CEAP e Fegamec realizam Curso de Formação de Lideranças Comunitárias no RS

Segunda etapa da formação contempla encontros em diferentes municípios do estado

Fortalecer o movimento comunitário, promover o diálogo, construir estratégias e impulsionar ações coletivas estão entre os principais objetivos do Curso de Formação de Lideranças Comunitárias, desenvolvido no Rio Grande do Sul. A iniciativa, que integra o Projeto de Fortalecimento do Movimento Comunitário no estado, realizou duas etapas regionais no mês de março. Nos dias 13 e 14, aconteceu o encontro em Novo Hamburgo/RS, na região Metropolitana e nos dias 27 e 28, em Rio Grande/RS, na região Sul.

O projeto é promovido por meio de parceria entre o Centro de Educação e Assessoramento Popular (CEAP), a Federação Gaúcha das Uniões de Associações de Moradores e Entidades Comunitárias (Fegamec) e a Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam), com apoio do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Os municípios do estado foram divididos em quatro regiões, que realizam as atividades presenciais em duas etapas.

A primeira etapa da formação ocorreu no ano passado e agora, em 2026, acontece a segunda etapa da formação, com encontros nos municípios de Novo Hamburgo, Alegrete, Rio Grande e Passo Fundo. “Na primeira etapa a gente discutiu sobre políticas públicas, direitos humanos, participação popular e agora, na segunda etapa, olhamos um pouco mais para dentro, debatendo os desafios que estes temas trazem para o movimento comunitário”, explicou Jorge Gimenez, educador popular do CEAP.

Durante o processo formativo, os participantes também desenvolveram uma análise sobre a realidade do movimento comunitário em seus municípios. Cada integrante respondeu a um questionário que contribuiu para a construção de um diagnóstico local e para a definição de prioridades de atuação. “É sobretudo, uma definição da agenda do movimento comunitário, de incidência na política pública, do que vai ser feito nos municípios. Nós também encaminhamos, entre a primeira etapa e a segunda, um diagnóstico que os participantes fizeram dos seus territórios”, contou.

O questionário buscou compreender aspectos como a situação das associações de moradores, se estão regularizadas, a participação em conselhos de políticas públicas, a forma como temas como a violência doméstica são tratados, além da composição das diretorias e da relação com ocupações no município.

Após essa etapa, cada participante retornou ao seu território com um “Plano de Multiplicação”, contendo propostas de ações que podem ser implementadas nas comunidades.

Regularização das associações é desafio recorrente

A regularização das associações de moradores segue como um dos principais desafios enfrentados no estado. Embora existam milhares de entidades no Rio Grande do Sul, não há um número exato, já que muitas enfrentam dificuldades com a documentação.

Segundo Gimenez, ainda há muitas dúvidas sobre os processos necessários para a regularização. “A regularização das associações de moradores é uma grande demanda que eles têm, de como fazer, dos procedimentos a fazer, o que os cartórios solicitam, o que pode constar, o que não pode…”, afirmou.

Para o líder comunitário Sandro Luiz dos Santos, de Campo Bom/RS, que é vice-presidente da Fegamec, o curso tem possibilitado a troca de experiências entre diferentes realidades do estado. “Esse curso permitiu a Fegamec fazer um diagnóstico da realidade da luta que as lideranças comunitárias travam no Rio Grande do Sul, a sua condição organizacional, as suas principais bandeiras. Porque a liderança comunitária é invisibilizada pelo sistema, as suas lutas não aparecem, não têm o devido reconhecimento e a devida publicidade. É uma luta que se dá cotidianamente, então esse curso nos permitiu isso”, destacou.

Sandro também ressaltou que o processo formativo fortalece a organização coletiva e amplia a atuação política das lideranças. “O curso também é uma via de duas mãos, porque se a gente leva algum conhecimento, a gente recebe muito conhecimento também. E a partir dessa ação, dessa interação, podemos organizar e dar continuidade a essa luta, agora de forma mais regionalizada, mais estruturada, tratando de questões para além das comunidades, de forma mais coletiva”, completou.

Temas como violência contra a mulher, habitação de interesse social, segurança pública e saúde estão entre as principais pautas presentes no cotidiano das lideranças comunitárias e foram abordados ao longo da formação. A programação do curso segue no mês de maio, com novas etapas previstas nos municípios de Alegrete e Passo Fundo.

Confira a data das próximas etapas:

  • Alegrete/RS: 15 e 16 de maio de 2026
  • Passo Fundo/RS: 29 e 30 de maio de 2026

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