
CEAP e Fegamec realizam última etapa do Curso de Formação de Lideranças Comunitárias
Trocar experiências, fortalecer vínculos e ampliar a participação cidadã. Esses foram alguns dos objetivos do Curso de Formação de Lideranças Comunitárias, que realizou sua última etapa nos dias 29 e 30 de maio, na sede da Associação de Moradores do Bairro Hípica, em Passo Fundo/RS.
A formação integra o Projeto de Fortalecimento do Movimento Comunitário no Rio Grande do Sul e é promovida pelo Centro de Educação e Assessoramento Popular (CEAP), em parceria com a Federação Gaúcha das Uniões de Associações de Moradores e Entidades Comunitárias (Fegamec), a Confederação Nacional das Associações de Moradores (CONAM) e conta com apoio do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
A abertura da atividade contou com a presença do presidente da Fegamec, Valdemar de Jesus da Silva, e do representante da CONAM, Wilson Valério da Rosa Lopes, que destacaram a importância da realização do curso.
O educador popular do CEAP, Jorge Gimenez, que fez a mediação do processo formativo explicou que ele foi desenvolvido em quatro regiões do estado, envolvendo lideranças comunitárias de diversos municípios. “Encerramos em Passo Fundo a segunda etapa da quarta turma. Foram quatro grupos de diferentes municípios participando desse processo de formação. Na primeira etapa trabalhamos temas como democracia, direitos humanos, políticas públicas e a contribuição histórica do movimento comunitário para a construção e qualificação dessas políticas. Já nesta etapa, aprofundamos o debate sobre participação popular e os desafios enfrentados pelas organizações comunitárias”, destacou.



Diagnóstico do movimento comunitário
Para o vice-presidente da Fegamec, Sandro Luiz dos Santos, de Campo Bom, a formação atingiu os principais objetivos propostos. “A expectativa da Fegamec com essa parceria era qualificar a atuação das lideranças comunitárias e identificar os principais desafios da organização comunitária no estado. Conseguimos avançar nesses dois aspectos”, afirmou.
Entre os principais desafios apontados durante o processo formativo estão a necessidade de regularização jurídica de entidades, a atualização documental das associações, o envelhecimento das lideranças e a dificuldade de renovação dos quadros dirigentes. “As demandas variam de município para município, mas muitos problemas são comuns, como habitação, saúde, segurança pública e o enfrentamento à violência contra as mulheres”, acrescentou.
Participação popular e fortalecimento das comunidades
A participação social também esteve no centro dos debates. Conforme Jorge Gimenez, o movimento comunitário possui presença significativa em diversos espaços de controle social e formulação de políticas públicas. “Há uma forte participação das lideranças comunitárias em conselhos municipais de saúde, segurança alimentar, assistência social e segurança pública. O curso buscou refletir sobre essa atuação e construir um diagnóstico da participação popular em cada município representado”, explicou.
A partir desse levantamento, os participantes elaboraram planos de intervenção e multiplicação, com propostas voltadas ao fortalecimento das organizações comunitárias em seus territórios. “Cada município construiu seu próprio plano de ação e assumiu o desafio de desenvolver atividades que contribuam para fortalecer o movimento comunitário local”, ressaltou o educador.
Cultura como ferramenta de transformação social
Entre os participantes esteve Gabriel Padilha, de Erechim, integrante da Associação de Moradores do Bairro São Cristóvão e coordenador estadual de Cultura da Fegamec. Segundo ele, a cultura é uma importante ferramenta para promover o diálogo sobre temas sociais relevantes. “Hoje a cultura é uma porta de entrada para debater pautas sensíveis, como a luta da população negra, os direitos da população LGBTQIA+, a violência doméstica e o feminicídio. Além de promover integração comunitária, ela contribui para ampliar o debate político no cotidiano das pessoas”, afirmou.
Juventude e renovação das lideranças
A renovação das lideranças comunitárias também foi destacada por Marcos Antônio da Silva, de 19 anos, morador de Caxias do Sul e diretor de Esportes da Fegamec. Para ele, espaços de formação são fundamentais para aproximar os jovens das políticas públicas e dos movimentos sociais. “Quem está chegando agora ao movimento comunitário precisa de formação e conhecimento para compreender sua importância histórica. O movimento comunitário ajudou a construir cidades, conquistar moradia, saneamento básico, acesso à saúde e diversos outros direitos. Por isso, precisamos fortalecer essa luta e incentivar cada vez mais pessoas a participarem”, destacou.
Ao longo dos encontros, o curso reuniu lideranças de diferentes regiões do estado, promovendo a troca de experiências, o fortalecimento das organizações comunitárias e a construção coletiva de estratégias para ampliar a participação popular e a defesa dos direitos das comunidades.
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Reportagem e fotos: Jéssica França/CEAP



