
Das 110 oficinas planejadas para este ano, mais da metade já tiveram as duas etapas concluídas
Desde março, quando tiveram início as etapas presenciais das oficinas de formação, mais de 55 municípios, de norte a sul e de leste a oeste do Brasil, já sediaram esta atividade, que é voltada ao fortalecimento do controle social no Sistema Único de Saúde (SUS). As inscrições para as oficinas do Projeto PARTICIPA+, que acontecem em duas etapas, ainda seguem abertas em alguns estados.
Para a secretária municipal de Saúde de Vacaria (RS), Aline Soares Salvador, que acompanhou a realização da oficina no município, no mês de maio, a participação popular é um dos pilares para a construção de um SUS mais forte e democrático. “A importância da participação social é fundamental para a construção do SUS que todos nós queremos, do SUS que todos nós almejamos. Nós somos usuários desse sistema e acredito muito em um SUS que se constrói junto. E como isso acontece? Com a participação de quem utiliza os serviços, de todos que compõem essa rede. Não é somente a participação dos profissionais, mas principalmente daqueles que mais usam o SUS, que são os usuários”, afirmou.
Aline explica que, por meio das oficinas e da troca de experiências, é possível compreender a dimensão e a importância da participação social. “Este é o momento de construir aquilo que queremos melhorar e modificar, seja no nosso território, no nosso estado ou no Brasil. A única forma de sermos ouvidos é nos reunindo, discutindo, levantando pontos e necessidades. Assim, percebemos que muitos desafios não são apenas de uma região ou município, mas fazem parte de um contexto muito maior”, pontuou.


PARTICIPA+ completa 10 anos
O PARTICIPA+ é uma iniciativa do Conselho Nacional de Saúde (CNS), por meio da Comissão Intersetorial de Educação Permanente para o Controle Social no SUS, realizada em parceria com o Centro de Educação e Assessoramento Popular (CEAP) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS).
Em sua 6ª edição, o PARTICIPA+ celebra uma década de atuação fortalecendo lideranças e ampliando a participação popular na construção e no fortalecimento do SUS. A descentralização das atividades segue como uma das marcas do projeto, ampliando a realização de oficinas em municípios do interior e em regiões mais distantes dos grandes centros metropolitanos.
A liderança quilombola Carmo Jardim da Silva, das comunidades Barra e Bananal, no município de Rio de Contas, na Chapada Diamantina (BA), participou da oficina realizada em Brumado e destacou a importância de ampliar o olhar sobre as populações tradicionais. “Estou aqui na oficina pedindo um olhar mais para o nosso povo. Nós somos um povo que chegou primeiro aqui neste Brasil para garantir a agricultura e o trabalho pesado. Nós, quilombolas e ribeirinhos, merecemos mais atenção na área da saúde e em todas as áreas, como a educação. É preciso olhar mais para o nosso povo”, disse.
Inclusão e acessibilidade
Outro eixo prioritário do projeto é a ampliação da acessibilidade. Sempre que possível e viável, as oficinas contam com recursos que garantem a participação de todas as pessoas, reforçando o compromisso do CNS e do CEAP com a inclusão.
A participante Jaqueline Cardoso da Silva, integrante do Conselho Municipal de Saúde (CMS), esteve presente na oficina realizada em Caicó (RN) e relatou a importância da experiência para a comunidade surda. “Participar desta oficina, que para mim é um verdadeiro curso de formação, tem sido muito importante. Eu me sinto valorizada por estar aqui, presenciando e tendo acesso a informações que muitas vezes os surdos não têm. Foi uma emoção muito grande participar. Estar aqui hoje representa o começo da possibilidade de acreditar que o SUS pode melhorar, assim como a inclusão, a acessibilidade e, principalmente, a comunicação com as pessoas surdas. Essa oficina tem sido muito importante para nós”, afirmou.


Como participar
As oficinas ocorrem até agosto de 2026, em formato híbrido, com uma etapa virtual síncrona e uma etapa presencial. A etapa virtual é o momento em que os participantes se conhecem e iniciam o processo formativo, com a mediação de educadoras e educadores populares do projeto. A segunda etapa é sempre presencial, em cidades previamente escolhidas pelos Conselhos Estaduais de Saúde para sediar este momento de interação e vivência coletiva.
Os interessados podem conferir quais locais ainda estão com inscrições abertas e realizar a pré-inscrição pelo site participamais.ceap-rs.org.br, selecionando seu estado e a cidade mais próxima para participar da etapa presencial.
O processo de seleção respeita o limite de 40 vagas por oficina, sendo 28 destinadas a integrantes dos Conselhos de Saúde e 12 a lideranças de movimentos sociais. Entre os representantes dos conselhos, é observada a composição prevista para o controle social, com 50% de usuários, 25% de trabalhadores da saúde e 25% de gestores e prestadores de serviços.
As oficinas são organizadas regionalmente dentro de cada estado, com um município definido para sediar a etapa presencial. A seleção dos participantes representantes dos Conselhos de Saúde é realizada pelas Comissões de Educação Permanente dos Conselhos Estaduais de Saúde. Já a seleção das lideranças fica sob responsabilidade dos movimentos sociais. Após o processo seletivo, as pessoas selecionadas são contatadas por e-mail ou WhatsApp para confirmação da vaga e recebimento das demais orientações sobre a formação.



