
No dia 30 de setembro, o Projeto PARTICIPA+ promoveu uma Roda de Conversa com o tema “Os instrumentos de gestão no SUS e a ampliação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) nos municípios”. A atividade foi uma proposição do Conselho Estadual de Saúde de Minas Gerais (CESMG), por meio da Comissão Estadual de Reforma Psiquiátrica (CERP), e reuniu cerca de 90 participantes, entre usuários, conselheiros, profissionais e militantes da luta antimanicomial.
A educadora popular do Projeto PARTICIPA+ e militante da luta antimanicomial, Andreza Fernandes, destacou a relevância do debate em um momento estratégico para o Sistema Único de Saúde (SUS). “Este é um ano de organização, de conferências e de elaboração dos planos municipais de saúde. Precisamos garantir que esses planos expressem a importância dos serviços substitutivos nos municípios e o investimento na qualificação dos trabalhadores da saúde mental. Há muitos desafios e barreiras em Minas e em outros estados, e discutir isso é essencial para fortalecer o SUS”, afirmou.
Andreza também ressaltou que compreender os instrumentos de gestão e o funcionamento da RAPS é fundamental para que os conselhos de saúde e os movimentos sociais atuem de forma qualificada nos processos de decisão. “Estamos em um período de planejamento do SUS nos territórios — um planejamento de quatro anos, que deve ser analisado, discutido e deliberado pelos conselhos. Por isso, é essencial nos apropriarmos desses conhecimentos para garantir a ampliação adequada da RAPS nos municípios, onde os processos de cuidado realmente acontecem”, completou.
Vozes da militância e da experiência vivida
Entre as participantes, Leida Maria de Oliveira Uematu, familiar de pessoa usuária da saúde mental e conselheira estadual de saúde, compartilhou sua trajetória de mais de 12 anos na militância. “Participei, desde 2022, de todas as etapas das conferências de saúde e de saúde mental. É nesses espaços, nos centros de saúde, que precisamos estar presentes, participando das reuniões e dialogando com a população. Muitas pessoas ainda não entendem que esses espaços são delas — de direito e de dever. Nosso papel é fortalecer o SUS e resistir às tentativas de enfraquecimento do sistema público”, afirmou.


Já Ren Fusaro, militante e integrante da Associação das Pessoas Usuárias da Rede de Atenção Psicossocial de Minas Gerais, trouxe uma reflexão sobre sua experiência como usuário e ativista. “Morei anos em Belo Horizonte e agora vivo em um município pequeno, com 5 mil habitantes. A realidade muda muito, mas o SUS continua sendo essencial. Quando falamos em construir redes de atenção psicossocial, é entender que toda a rede do SUS — centro de saúde, UPA, hospital, CAPS — precisa estar articulada. Saúde mental não é uma especialidade à parte, é parte da saúde integral”, explicou.
Ren destacou ainda a importância das tecnologias leves — como o acolhimento e a escuta — para a efetividade da atenção primária. “Promover saúde não é oferecer uma cura milagrosa. Eu não deixei de ter transtorno mental nesses anos de tratamento, mas encontrei um lugar de acolhimento. Posso viver minhas crises sabendo que serei acolhido, que a crise será apaziguada e que terei condições de seguir minha vida. Quando o SUS está organizado e próximo das pessoas, ele salva vidas todos os dias”, concluiu.
Compromisso coletivo com o fortalecimento do SUS
A Roda de Conversa reforçou a importância de compreender a gestão participativa e territorial do SUS, promovendo a integração entre conselhos de saúde, movimentos sociais e usuários para consolidar a Rede de Atenção Psicossocial.
Mais do que um espaço de debate, o encontro reafirmou o compromisso coletivo com uma saúde pública universal, de qualidade e orientada pelos princípios da Reforma Psiquiátrica e da luta antimanicomial.
_
Foto: Reprodução
Por: Jéssica França/Ascom Ceap



