
Dois representantes do Centro de Educação e Assessoramento Popular estiveram presentes na Cúpula dos Povos e na marcha que reuniu mais de 70 mil pessoas em Belém (PA).
Participar de um espaço que reúne lideranças de todo o mundo para debater e definir ações de combate ao aquecimento global é estratégico, especialmente para quem atua na defesa do direito humano à saúde. Por isso, o Centro de Educação e Assessoramento Popular (CEAP) esteve presente na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30), realizada em Belém do Pará, por meio dos educadores populares Valdevir Both, que também é coordenador executivo da entidade, e Nara Peruzzo.
Os representantes participaram da Cúpula dos Povos, evento paralelo organizado pela sociedade civil, e de diversos debates e atividades sobre justiça climática.
Brasil no centro do debate climático
Para Nara, o fato de o Brasil sediar a COP30 é decisivo para reposicionar o país no cenário global. “Por grande parte da Amazônia estar em território brasileiro, sediar a COP30 permite ao Brasil reforçar sua liderança no debate climático, pautando temas importantes como o desmatamento da floresta amazônica, a transição energética e os compromissos climáticos dos Estados. Além disso, é uma oportunidade de cobrar dos países desenvolvidos o cumprimento dos acordos, seja no financiamento climático, na transferência de tecnologias ou em ações políticas que assegurem justiça climática”, destacou.
Ela também ressaltou o simbolismo da conferência acontecer em Belém, no coração da Amazônia, colocando a região como protagonista, e não apenas cenário das discussões.
A força da Cúpula dos Povos
Enquanto a COP30 reúne governos, a Cúpula dos Povos, realizada de 12 a 16 de novembro, reuniu mais de 25 mil participantes, tornando-se a maior edição da história. Movimentos sociais, ONGs, povos indígenas, comunidades tradicionais, sindicatos, universidades e pesquisadores de diversos países ocuparam o espaço com denúncias, defesa de direitos e proposição de alternativas.
“A Cúpula é um espaço de luta política. Traz a voz dos povos, de quem vive nos territórios e sente diretamente os impactos da crise climática. É também um local de pressão para que governos incorporem essas pautas em seus acordos”, explicou Nara. O debate central da edição foi justiça climática, acompanhado de críticas ao modelo de desenvolvimento capitalista e ao atual formato de transição energética.



Experiências e reflexões
A participação na Cúpula dos Povos reforçou debates que o CEAP e o Fórum Direito Humano à Saúde já vinham realizando sobre a relação entre clima, saúde e direitos humanos. “Foi um momento muito enriquecedor, de perceber que há muitas vozes gritando juntas. Já vínhamos discutindo justiça climática e saúde, além de debater o papel dos movimentos sociais na COP30. Tanto que lançamos, pelo Fórum DH Saúde, o podcast Justiça Climática e Saúde, para problematizar essa relação e reforçar a importância da participação popular na construção de novas perspectivas de sociedade”, relatou Nara.
A programação da Cúpula trouxe temas para debate como racismo ambiental, demarcação e proteção de territórios, transição energética justa, produção de alimentos, cidades saudáveis, energias renováveis, além de denúncias sobre violações de direitos, exploração e críticas ao capitalismo.
No dia 15 de novembro, a Marcha Global pelo Clima reuniu mais de 70 mil pessoas pelas ruas de Belém. “A marcha foi um momento importante de denúncia e pressão política para que os governos escutem a voz do povo”, destacou.



Pressão popular e desafios
Nara reforça que a participação popular é essencial para a construção de soluções climáticas justas. “Quem está no território precisa ser ouvido e participar das decisões”, afirmou.
A COP30 encerra no dia 21 de novembro, com encaminhamentos sobre financiamento climático, comércio internacional, metas de redução de emissões, relatórios de implementação, acordos bilaterais e regras de adaptação.
Ao final da Cúpula dos Povos, foi lançada a Declaração da Cúpula dos Povos rumo à COP30, que reúne 15 agendas políticas prioritárias. Entre elas: o enfrentamento às falsas soluções de mercado, a defesa do protagonismo dos povos na construção das soluções climáticas e a reivindicação por reparação justa e integral das perdas e danos. “A luta continua. Para isso, é necessário um processo organizativo forte e articulado, que mobilize corações e mentes em defesa dos direitos humanos, do clima e da vida do planeta”, concluiu Nara.
Acesse AQUI a íntegra da Carta Política da Cúpula dos Povos
Para saber mais sobre o Podcast DiHálogos lançado pelo Fórum DH Saúde que discutiu o tema “Justiça Climática e Saúde” confira a matéria completa AQUI
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Fotos: Divulgação CEAP
Reportagem: Jéssica França/Ascom CEAP



