
Neste 19 de abril, data que marca o Dia dos Povos Indígenas, um dos temas centrais é a saúde indígena e os desafios para garantir atendimento integral e de qualidade às populações originárias em todo o Brasil.
Nos territórios, o cuidado é estruturado por meio do subsistema de atenção à saúde indígena, que organiza desde a atenção básica até o encaminhamento para serviços de média e alta complexidade. Um exemplo dessa atuação é o Polo Base do Distrito Sanitário Especial Indígena da Bahia (DSEI-BA), com escritório local em Feira de Santana.
De acordo com a responsável administrativa do escritório, Dinalva Teles de Souza, o trabalho envolve desde o agendamento de consultas e exames até o acompanhamento direto dos pacientes durante os atendimentos. “Atuamos no acolhimento dos indígenas que chegam para atendimento de média e alta complexidade. Muitas vezes, acompanhamos dentro do consultório, ajudando na compreensão das orientações médicas. É um trabalho que envolve cuidado, escuta e apoio em diferentes dimensões”, explica.
Com 38 anos de serviço público, sendo 15 dedicados à saúde indígena, Dinalva destaca que a confiança construída ao longo do tempo é essencial para garantir um atendimento mais humanizado e eficaz.
A técnica de enfermagem Mônica Pereira da Cruz, que também atua no escritório local, reforça que o trabalho da equipe inclui a articulação entre os territórios de origem e os serviços de saúde disponíveis em Feira de Santana. Segundo ela, o polo realiza a interlocução para viabilizar consultas, exames e cirurgias que não estão disponíveis nos municípios de origem. “Recebemos as demandas dos polos e organizamos o atendimento aqui, garantindo o acolhimento e o encaminhamento adequado dentro da rede de saúde”, afirma.
Outro ponto fundamental é o respeito às especificidades culturais de cada povo indígena. O atendimento busca considerar as diferentes realidades, línguas e modos de vida, garantindo um cuidado mais sensível e adequado às necessidades de cada comunidade.


Para o educador popular indígena Sandro Santos, do povo Tuxá, é essencial que conselheiros de saúde e lideranças sociais compreendam o funcionamento do subsistema indígena. Ele destaca que a criação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), em 2010, representou um avanço na organização da política, mas ainda há desafios importantes a serem enfrentados.
Entre eles, está a garantia da integralidade do cuidado, especialmente quando os indígenas precisam sair de seus territórios para acessar serviços de média e alta complexidade nos centros urbanos. “É fundamental que gestores, conselheiros e lideranças entendam essa dinâmica para fortalecer o controle social e enfrentar práticas de racismo institucional que ainda dificultam o acesso pleno à saúde”, ressalta.
O Brasil conta com mais de 300 povos indígenas e mais de 170 línguas diferentes, o que reforça a necessidade de políticas públicas sensíveis à diversidade. Nesse contexto, iniciativas de formação, como as desenvolvidas no âmbito do Projeto PARTICIPA+, têm contribuído para ampliar o conhecimento sobre a saúde indígena entre conselheiros do SUS e movimentos sociais.
A data reforça, portanto, a importância de garantir um Sistema Único de Saúde que reconheça as especificidades dos povos indígenas e assegure o direito à saúde com equidade, respeito e participação social.



