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Publicado em: 1 de setembro de 2021
Categorias: Formação

Movimentos Sociais Populares debatem práticas a partir da educação popular em ambiente virtual

Por meio de uma sistematização proposta pelo CEAP, movimentos puderam aprofundar práticas metodológicas no ambiente virtual, em decorrência da pandemia da Covid-19. Atividade integra as comemorações do Centenário de Paulo Freire

A pandemia da Covid-19 exigiu um novo olhar e novos formatos para fazer a educação popular. Neste contexto, um grupo de trabalho de Sistematização do Centro de Educação e Assessoramento Popular (CEAP) vem pensando novos formatos para que a troca, o aprendizado e a multiplicação de experiências continuem sendo o viés da educação popular a que se propõem, porém em um novo ambiente: o virtual.

As propostas foram sistematizadas em um processo de imersão e debate, com a participação de dez movimentos sociais populares espalhados pelo Brasil, que já faziam educação popular e que buscam adequar-se à nova realidade. As atividades fazem parte do projeto “Formação para o Controle Social do SUS”, promovida em parceria com o Conselho Nacional de Saúde, OPAS/OMS e Misereor.

O Seminário final “Educação Popular em Ambiente Virtual: Sistematização de Práticas Formativas”, contou com a participação de Oscar Jara, sociólogo peruano, parceiro do CEAP e referência mundial em educação popular.

Representantes dos movimentos puderam socializar as práticas a partir da virtualidade

Com foco na resistência e na ação transformadora, as atividades provocaram os movimentos a avaliarem suas ações e projetos sob a ótica da virtualidade, o que demandou uma avaliação aprofundada e como muitos destacaram, um “olhar para dentro de suas práticas”.

A complexidade e riqueza da diversidade de dez experiências

Para Oscar Jara foi um momento de celebração, em virtualidade, do Centenário de Paulo Freire, que se faz presente neste momento. “Compartilhamos sua presença dentro dos nossos trabalhos, especialmente no processo de sistematização de experiências que nada mais é que o ‘semear’ de Paulo Freire. Neste processo formativo percebemos a complexidade e riqueza da diversidade de dez experiências, de forma participativa, includente, a partir de experiências vividas e sentidas individual e coletivamente. Por tudo isso gratidão é a palavra forte que expressamos mutuamente durante o processo de sistematização e que esperamos sigamos efetivando. As trocas que realizamos, na reciprocidade, mas especialmente a solidariedade que construímos, se viabiliza na medida em que a doação gratuita ainda que não desinteressada e menos ainda neutra, se realiza como experiência”.

Oscar Jara destacou a complexidade e riqueza da diversidade das experiências

O direito à proteção no ambiente virtual e ao acesso universal às condições para sua produção e uso

Para Paulo Carbonari, coordenador do Grupo de Trabalho do CEAP, o seminário foi um momento ímpar para que se aprofundassem questões que o processo de sistematização das dez práticas formativas que participaram trouxe. As práticas sistematizadas mostram um conjunto significativo de questões a respeito da realização de ações formativas em ambiente virtual. Sobretudo mostrou que não há como escapar de colocar o tema no centro da agenda de lutas das organizações populares, no sentido de propor um novo direito humano: o direito à proteção no ambiente virtual e ao acesso universal às condições para sua produção e seu uso. Ações formativas em ambiente virtual precisam se preocupar com as capturas e controles do big data e, especialmente encontrar caminhos que promovam a liberdade. Não basta fazer bons encontros, com dinâmicas mobilizadoras, a questão está em saber se ainda que se use as melhores dinâmicas, se supera as condicionalidades das plataformas e das redes sociais, que ainda se mostram ‘bancárias’ demais para realizarem efetivamente a educação popular. Saímos do seminário com compromissos de dar seguimento ao processo realizado, com novas ações conjuntas”, finalizou.

“É preciso olhar para os movimentos sociais e aprender com eles”

Sueli Barrios, coordenadora da Comissão Intersetorial de Educação Permanente para o Controle Social do SUS (CIEPCSS), do Conselho Nacional de Saúde (CNS), afirmou que o processo de formação é uma aposta do CNS, sendo a pesquisa uma das atividades principais. “É preciso olhar para os espaços de participação social, para os movimentos sociais e aprender com eles. Sempre fizemos educação popular presencial e este é um grande desafio durante a pandemia, trabalhando na virtualidade, com o desafio de construir práticas de modo virtual. Este momento é de extrema importância, porque estamos aprendendo com os coletivos, os movimentos, compartilhando este momento importante para a militância do controle social. Queremos os movimentos sociais fortes, juntos conosco na luta tão necessária para ampliarmos a participação da população na defesa da vida, da democracia participação e na defesa do SUS. Ao CEAP e aos movimentos que participaram deste processo nossa gratidão”, disse.

A diretora do CEAP, Elenice Pastore, lembrou que, em 2020, em meio as incertezas da pandemia covid-19, o CEAP realizou um estudo sobre o impacto da Covid-19 nas ações organizativas e formativas dos movimentos e organizações sociais populares. “Nos ‘achados’ deste estudo, percebemos que ao mesmo tempo que a pandemia dificultou as atividades presenciais e de rua (essenciais aos movimentos), muito estava se fazendo a partir da virtualidade. Provocados por este processo é que em 2021, pensamos em sistematizar as práticas metodológicas de formação na educação popular realizadas em ambiente virtual/digital desenvolvidas por sujeitos sociais populares em suas organizações no contexto da pandemia Covid-19. Foram sistematizadas 10 práticas formativas de diferentes organizações e campos de atuação. Buscou-se acima de tudo, refletir sobre quais fatores que fragilizaram e/ou potencializaram a resistência e a ação transformadora das práticas formativas na educação popular realizada com tecnologias digitais no contexto da pandemia Covid-19. O seminário, não teve a intenção de apresentar resultados, mas apontar problematizações e debater as potencialidades e o limites do fazer educação popular em ambiente virtual”, explicou.

Integrantes de alguns dos movimentos participantes falam sobre suas experiências

“A construção do curso de formação de multiplicadores (as) em pratica integrativa é trazer para educação os pilares das educações: POPULAR, DO CAMPO E SAÚDE.

Obrigada Paulo Freire por todo o seu legado deixado”!!!

Camila Guedes, CONTAG

“Eu trabalhei muitos anos como educadora popular e estou encantada com o trabalho do CEAP nesse momento tão difícil. Isso mostra que a educação popular enfrenta as dificuldades e se renova, sempre”!

Carla Michele Rech, pós-doutoranda PPGCol UFRGS

“Esta experiência nos permitiu ver nossas forças e nossas fragilidades sob uma outra perspectiva. Nos motivando a melhorar sempre, a superar os desafios já postos e pensar nos que poderiam surgir futuramente. Para além disso, foi um processo de aprendizado e trocas, com experiências riquíssimas que nos permitiu vivências maravilhosas”.

Patrícia Soares, Morhan

 

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